Acervo Museológico

Atualmente o acervo do Museu do Diamante/Ibram é composto por 1.777 peças.

Os Diamantes

A formação da cidade de Diamantina, antigo Arraial do Tijuco, em Minas Gerais, está relacionada diretamente com a exploração do diamante, apesar do surto de mineração do ouro ter sido responsável por sua ocupação inicial.

Na segunda metade do século XIX começaram a organizar-se as primeiras companhias estrangeiras de mineração mecanizada na área, que convivia com o trabalho e técnicas tradicionais dos garimpeiros.

Assim, em torno da exploração diamantífera foi se constituindo uma dinâmica cultural específica, registrada por um acervo cultural valioso, que permanece preservado na cidade e no Museu do Diamante.

Conjunto de crivos utilizado para classificação do diamante. Fabricado por Wm Linderman &C°, Amsterdã, Holanda, no século XIX.  Conjunto de medidores de ouro em pó.

Conjunto de crivos utilizado para classificação do diamante. Fabricado por Wm Linderman &C°, Amsterdã, Holanda, no século XIX.
Conjunto de medidores de ouro em pó.

Livro de registro da Casa da Administração Geral dos Diamantes, de 1778, apresentando o registro de pagamento de diamante e ouro, destacado no meio através de selo impresso.

Livro de registro da Casa da Administração Geral dos Diamantes, de 1778, apresentando o registro de pagamento de diamante e ouro, destacado no meio através de selo impresso.

Conjunto para medição do peso do ouro e do diamante.

Conjunto para medição do peso do ouro e do diamante.

Medalhão pingente. Prata e pedras preciosas do século XIX.

Medalhão pingente. Prata e pedras preciosas do século XIX.

As joias faziam parte dos objetos de valor de família e eram elemento imprescindível nos seus testamentos e inventários.

A confecção das joias tinha uma importante produção no século XVIII, apesar da ourivesaria religiosa ser mais significativa que a civil, com preciosos objetos de prata e pedras preciosas, como relicários, lâmpadas, ostensórios, navetas e coroas.

Arte Sacra

Minas Gerais, província do ouro e do diamante, centro da riqueza do Brasil colônia por quase um século, teve condições excepcionais de possuir uma imaginária rica. Na significativa produção mineira, se destacam as pequenas imagens domésticas adequadas aos oratórios, que, desde o fim do século XVIII, adornavam as casas de família.

Estes oratórios, geralmente de pequeno porte, surgiram em face da fé religiosa e do aumento da população com a febre da mineração. Dentre esta produção podemos destacar os conhecidos oratórios D. João V. Com talha rococó e pintura interna, estes oratórios envidraçados são povoados com pequenas imagens de pedra, frequentemente brancas, com pintura em algumas partes e pouca decoração em ouro, existindo em vários tipos, com tamanhos diversos ou apenas a caixa com o presépio. Foram largamente produzidos do fim do século XVIII até a primeira metade do século XIX, encontrando-se inúmeros exemplares em outros estados do país.

Oratório mineiro em madeira dourada e policromada, com esculturas em calcita (“Presépio e Calvário”). Século XVIII

Oratório mineiro em madeira dourada e policromada, com esculturas em calcita (“Presépio e Calvário”). Século XVIII

Oratório em madeira policromada com Crucifixo em marfim e esculturas de N. Sra. Da Conceição e São José. Século XVIII.

Oratório em madeira policromada com Crucifixo em marfim e esculturas de N. Sra. Da Conceição e São José. Século XVIII.

Nossa Senhora do Rosário, escultura em marfim policromada, indo-portuguesa. Século XVIII.

Nossa Senhora do Rosário, escultura em marfim policromada, indo-portuguesa. Século XVIII.

Grupo escultório em marfim. Arte indo-portuguesa do século XVII.

Grupo escultório em marfim. Arte indo-portuguesa do século XVII.

Mobiliário

O interior das casas era sóbrio e apenas com mobiliário essencial. A partir do século XIX, as habitações das classes mais ricas aperfeiçoaram os seus interiores em espaço, mobiliário e conforto. Os sobrados passaram a apresentar maior número de aberturas para o exterior, permitindo assim maior claridade e melhor arejamento.

Em fins do século XIX, um interior abastado já tinha uma separação nítida entre os aposentos, cada qual com seu conjunto especializado de peças do mobiliário e de objetos decorativos.

Dentre as peças do mobiliário preservadas no Museu do Diamante, pode-se observar as curiosas cadeiras sanitárias femininas e masculinas (comuas), que foram amplamente utilizadas pela família colonial brasileira.

Cadeira sanitária.

Cadeira sanitária.

Cadeira do século XIX. Características do estilo D. Maria I e influência Sheraton.

Cadeira do século XIX. Características do estilo D. Maria I e influência Sheraton.

Porcelana e faiança

Na primeira metade do século XIX, no Arraial do Tijuco, as lojas vendiam diversos objetos refinados, conforme a influência da etiqueta francesa e a moda na Corte, onde se realçavam as pratas, os vidros e as louças de porcelana.

A louça inglesa foi largamente importada para o Brasil no começo do século passado. A sua maior curiosidade é a decoração, sempre com um toque oriental. As peças de faiança do Museu do Diamante têm decoração toda azul com motivos orientais de cenas chinesas.

Louça inglesa do século XIX. Travessa e sopeira, fabricadas por J. Meir & Son, Kyler, Inglaterra; jarra e travessa, fabricadas por Bagshaw & Maier; molheira, fabricada por J. Meir & Son, Kyber, Inglaterra; manteigueiras e xícaras de café, fabricadas por Davenport, Longport, Inglaterra; prato fundo, fabricado por I. M. & S, Staffordshire, Inglaterra.

Louça inglesa do século XIX. Travessa e sopeira, fabricadas por J. Meir & Son, Kyler, Inglaterra; jarra e travessa, fabricadas por Bagshaw & Maier; molheira, fabricada por J. Meir & Son, Kyber, Inglaterra; manteigueiras e xícaras de café, fabricadas por Davenport, Longport, Inglaterra; prato fundo, fabricado por I. M. & S, Staffordshire, Inglaterra.

Saboneteira, gomil, bacia e porta-escova do século XIX, Alemanha.

Saboneteira, gomil, bacia e porta-escova do século XIX, Alemanha.

Instrumentos de tortura

No antigo Arraial do Tijuco, trabalhando principalmente na extração de diamantes, os escravos sofriam os mais rigorosos castigos.

Os instrumentos de castigo, de ferro, eram forjados pelos próprios escravos, que não raro os usavam: o colar de ferro tem braço em forma de gancho, no intuito de ser agarrado mais facilmente; o vira-mundo era utilizado para prender os punhos e os tornozelos; a calceta, uma bola de ferro, era presa no tornozelo; o libambo era formado por uma grande corrente com gargalheiras, colocadas no pescoço, para caminharem em grupo ou serem conduzidos de um local a outro.

Vira-mundos.

Vira-mundos.

Calceta.

Calceta.

Instrumentos Musicais

José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, nascido no Serro em 1746 e falecido no Rio de Janeiro em 1805, foi um dos importantes músicos atuantes no Arraial do Tijuco. Certamente foi o primeiro organista da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, utilizando um órgão construído pelo padre Manoel de Almeida Silva, em 1781, no próprio arraial.

Piano fabricado por John Broadmood & Sons, Londres, no século XIX. Consta ter pertencido ao maestro diamantinense João Baptista de Macedo, o “Piruruca”. Clichês com partes musicais de “Libera-me”, 3º Responsório de uma “encomendação de Almas”, para solo, coro e orquestra, de autoria de João Batista de Macedo.

Piano fabricado por John Broadmood & Sons, Londres, no século XIX. Consta ter pertencido ao maestro diamantinense João Baptista de Macedo, o “Piruruca”. Clichês com partes musicais de “Libera-me”, 3º Responsório de uma “encomendação de Almas”, para solo, coro e orquestra, de autoria de João Batista de Macedo.