Instituto Brasileiro de Museus

Museu do Diamante

Museu do Diamante completa 66 anos

publicado: 08/05/2020 15h08, última modificação: 20/05/2020 09h47

No dia 12 de abril o Museu do Diamante completou 66 anos.

Que tal conhecer um pouco de como ele foi criado?

O Museu do Diamante foi inaugurado em 1954, mas seu processo de criação se iniciou ainda na década de 1940. Em 1937, havia sido criado o SPHAN (Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, atual IPHAN). Esse órgão, criado por Getúlio Vargas durante o Estado Novo, representou a inauguração de uma política de patrimônio no Brasil. A ideia era investir na construção de uma identidade nacional que pudesse ser representada pelos monumentos históricos e artísticos do país. Diversos intelectuais estiveram por trás desta empreitada, muitos deles ligados ao movimento modernista. O que mais se destacou entre eles foi Rodrigo Melo Franco de Andrade, advogado e escritor mineiro, que esteve à frente do SPHAN desde sua criação até 1968.

Os monumentos selecionados para compor o patrimônio nacional foram sobretudo aqueles ligados ao período colonial nas Minas Gerais – o chamado Barroco Mineiro. Os intelectuais envolvidos na causa do patrimônio acreditavam que estes monumentos representavam uma “legítima” arte brasileira. Além dos tombamentos de diversos casarões, igrejas e bens móveis do século XVIII, o SPHAN resolveu também criar museus nas chamadas cidades históricas mineiras como forma de preservar a história e a memória da cultura mineradora.

O Museu do Diamante foi um destes museus. Agora que você já sabe o contexto de sua criação.

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Quando se pretende criar um museu, o primeiro passo é encontrar uma sede adequada para ele! O Museu do Diamante está instalado na antiga residência do Padre Rolim, um casarão do século XVIII que, além de representativo da arquitetura colonial, também possui um valor histórico ligado à memória da Conjuração Mineira. A casa, que havia sido confiscada quando da prisão de Padre Rolim, foi leiloada e arrematada por José Soares Pereira da Silva em 1799, pela quantia 1.128.150 réis. Não conseguindo pagar a dívida, este vendeu o imóvel pela mesma quantia para Ana Clara Freyre em 1809.

A casa continuou servindo de residência ao longo do século XIX e início do XX, até que em 1943 foi desapropriada e tombada pelo SPHAN. Para possibilitar a instalação do Museu, o imóvel passou por uma restauração que contou com a colaboração do influente arquiteto Sylvio de Vasconcellos e também de Assis Horta, célebre fotógrafo diamantinense, à época funcionário do SPHAN.

As obras foram concluídas em 1947, mas ainda faltava um item fundamental para a criação do Museu: o acervo.

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A maior parte do acervo do Museu do Diamante provém da chamada “Coleção Coimbra” – tratava-se de uma loja de antiguidades de propriedade do antiquário diamantinense Antônio Silva Coimbra, conhecida na cidade como “Cabana do Pai Tomás”. A loja possuía um grande número de objetos das mais diversas tipologias, passando por mobiliário, objetos de uso pessoal, armas, instrumentos musicais, numismática, espécimes minerais e vegetais, entre outros. Coimbra, que estava doente e queria desfazer-se de sua coleção, escreve a Rodrigo Melo Franco de Andrade no intuito de vender todo o conjunto de objetos para o Museu em vias de criação. A compra se deu em 1947 – como resultado, tem-se a formação de um acervo bastante heterogêneo, que lembra os antigos “gabinetes de curiosidades”.

Além disso, o Museu recebeu também doações e comprou objetos de particulares – sobretudo ligados a figuras ilustres da cidade e região, como o Barão de Paraúna e a família Torres (do escritor Antônio Torres). Trata-se, em sua maioria, de objetos luxuosos, associados a hábitos requintados associados às famílias de posses. Dessa forma, o Museu acabou por esboçar uma narrativa que representava, sobretudo, os valores e o cotidiano das elites mineiras dos séculos XVIII e XIX.

De lá pra cá, muita coisa mudou: hoje, o Museu do Diamante procura valorizar a diversidade cultural e as memórias dos diversos grupos que formam a sociedade brasileira. 

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Sua criação se deu através da Lei Federal nº 2200 de 12 de abril de 1954, que estabelece como sua finalidade: “recolher, classificar, conservar e expor adequadamente elementos característicos das jazidas, formações e espécimes de diamantes recorrentes no Brasil, bem como objetos de valor histórico e artístico relacionados com a indústria daquela mineração em face dos aspectos principais do seu desenvolvimento, da sua técnica e da sua influência na economia e no meio social do antigo Distrito Diamantino e de outras regiões do país”.

Nos dias atuais, o Museu do Diamante procura ir além, explorando seu acervo através de uma abordagem crítica e levando em consideração os diversos processos históricos e memórias relacionadas à mineração, ao cotidiano e à formação da cidade de Diamantina. Venha fazer parte dessa história!

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