Instituto Brasileiro de Museus

Museu do Diamante

Mostra Mulheres: costurando e bordando histórias

Foto: Parísina Tameirão Ribeiro.

O bordado manual é também tradição em Diamantina, não sendo diferente do aprendizado de costura.  Trata-se de um saber repassado de geração em geração, como relatou ao Museu do Diamante/Ibram Parísina Tameirão Ribeiro, mestre bordadeira e poeta têxtil: “Eu tive um contato muito cedo com mundo das linhas, dos fios, das cores e dos tecidos. Eu me lembro da minha mãe pedindo pra mim desenrolar linhas, pra segurar as meadas de seda pra ela fazer os novelos, ela me ensinando os primeiros pontos de crochês, eu tinha de 6 para 7 anos, comecei a fazer as roupas das minhas bonecas, a colar lantejoulas nas minhas fantasias porque eu sempre adorei carnaval também, depois já com os primeiros pontos de bordado”.

Depoimento da Srª Parísina Tameirão Ribeiro.

A tradição bordadeira em Diamantina ainda requer estudos a respeito de suas origens. Sobre o quantitativo de pessoas que exercem esses trabalhos e a renda que é gerada através do bordado manual, segundo o Jornal Estado de Minas:

Os poucos dados mais recentes sobre a importância do artesanato dos bordados para o emprego e a renda dos brasileiros indicam que a atividade despontou, praticada em 74,2% dos municípios, em 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ela constitui traço da cultura nacional, alcançando 93% dos municípios de Sergipe, o campeão no desenvolvimento dessa arte, e 82,1% das cidades do Espírito Santo. Minas é o terceiro colocado. Há bordadeiras no pleno exercício da profissão em 695 dos 853 municípios, quer dizer, em 81,5% do total (Jornal Estado de Minas, publicado em 31 de março de 2014).

Em Diamantina existem alguns grupos que utilizam o bordado na produção de artesanatos, como o “Mulheres em Ação”, localizado no bairro Cidade Nova; “Nós que Ajuda”, no distrito de Inhaí; “Mulheres da Ponte”, em Curralinho; e as associações, ASSART, Casa Real, Economia Solidária e Tapetes Arraiolos. Recentemente, o bordado está em processo de reconhecimento como patrimônio imaterial estando em fase de pesquisa e estruturação.

O bordado além de ser uma fonte de renda para muitas mulheres é uma importante forma de expressão e de comunicação. Através de agulhas, fios e cores as bordadeiras tecem e compartilham suas vivências, histórias, fatos sociais e econômicos. Encontramos trabalhos de bordados que retratavam o garimpo, a mulher negra e os monumentos históricos de Diamantina.